O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Acre (Sinteac) divulgou uma nota de repúdio contra a governadora Mailza Assis e criticou a atuação do governo estadual diante do ataque ocorrido no Instituto São José, que resultou na morte das servidoras Zena e Raquel.
Na nota, o sindicato afirma que a governadora demonstrou insensibilidade diante da tragédia e critica a suspensão das aulas por alguns dias como resposta à situação. Segundo a entidade, o governo estaria transferindo responsabilidades relacionadas à segurança para gestores escolares, professores e funcionários da educação, por meio de protocolos que incluem fiscalização de mochilas e uso de detectores de metais.
O Sinteac afirma que essas funções não fazem parte das atribuições dos profissionais da educação e cobra medidas mais amplas e efetivas para enfrentar a violência nas escolas. A entidade defende que o governo reúna profissionais da educação, órgãos de segurança, assistência social, saúde, estudantes e famílias para construir estratégias de prevenção e proteção.
O sindicato também pede ações como fortalecimento da polícia escolar, criação de equipes multidisciplinares com psicólogos e assistentes sociais, monitoramento de conteúdos violentos acessados por alunos e criação de um comitê permanente de combate à violência nas escolas.
Na manifestação, a entidade afirma ainda que os trabalhadores da educação convivem diariamente com ameaças, agressões, adoecimento emocional e psicológico, e acusa o poder público de abandonar os profissionais diante da crise.
“Estão deixando para a escola responsabilidades que não são apenas dela. Querem transformar a escola em hospital, delegacia, assistência social e espaço de contenção da crise social, esquecendo seu principal papel: o ensino e a formação cidadã”, diz trecho da nota.
Veja a nota na Íntegra:
NOTA DE REPÚDIO À GOVERNADORA MAILZA ASSIS
O SINTEAC repudia veementemente a postura da governadora Mailza Assis diante da violência nas escolas e do descompromisso com a valorização da Educação. A governadora demonstrou insensibilidade diante da tragédia ocorrida na Escola Instituto São José, que vitimou as servidoras Zena e Raquel, assassinadas por um adolescente de 13 anos, fato que chocou profundamente toda a sociedade acreana.
Parece acreditar a governadora e seu secretário de Educação que suspender as aulas por 3, 4 ou 5 dias faria com que os trabalhadores da Educação e a sociedade esquecessem a tragédia e tudo voltasse à normalidade. O secretário de Educação convocou os gestores escolares sem apresentar medidas concretas, limitando-se apenas a transferir responsabilidades relacionadas à segurança e à proteção dentro das escolas, demonstrando total despreparo diante de uma situação de tamanha gravidade.
Acreditam a governadora e o secretário de Educação que criar “protocolos” para que gestores escolares, professores e funcionários executem funções que fogem de suas atribuições resolverá o problema. Passar detectores de metais, fiscalizar mochilas e exercer funções de segurança não fazem parte das atribuições para as quais professores e funcionários prestaram concurso público.
Repudiamos essa postura fria e insensível da governadora Mailza Assis, que deveria convocar todos os atores envolvidos na garantia da segurança e proteção nas escolas — profissionais da Educação, estudantes, famílias, órgãos de segurança, assistência social e saúde — para construir estratégias preventivas e punitivas contra qualquer tipo de violência.
Além da instalação de detectores de metais, é necessário criar equipes multidisciplinares para acompanhar alunos e profissionais que apresentem problemas psicológicos; aumentar o efetivo da polícia escolar; criar mecanismos de bloqueio de conteúdos violentos nos celulares dos alunos; disponibilizar aplicativos para que os pais possam monitorar e bloquear conteúdos violentos, grupos de incentivo à violência e jogos nocivos; estabelecer regras e medidas rigorosas para alunos que pratiquem crimes contra profissionais e estudantes; responsabilizar os pais nos casos previstos em lei; e criar um comitê permanente de combate à violência.
Envolvendo todos os setores responsáveis, com ações imediatas e efetivas.
REPUDIAMOS a postura de um governo que demonstra não compreender a gravidade da violência enfrentada diariamente pelos profissionais da Educação. Sofremos ameaças de morte, agressões, xingamentos, adoecimento emocional e psicológico e, até o momento, pouco ou nada foi efetivamente feito.
Estão deixando para a escola responsabilidades que não são apenas dela. Querem transformar a escola em hospital, clínica, delegacia, consultório psicológico, assistência social e espaço de contenção de toda a crise social, esquecendo seu principal papel: o ensino, a aprendizagem e a formação cidadã, sem se importar se vivemos ou morremos.

