CPI aprova convite a ministros do STF e familiares para esclarecimentos sobre o Banco Master

Redação
3 Leitura mínima
Moraes e Toffoli/Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, aprovou nesta quarta-feira (25) os requerimentos para convidar os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prestarem depoimento. O foco do colegiado recai sobre as investigações de fraudes envolvendo o Banco Master, processo que tramita na própria Suprema Corte. Além dos magistrados, os parlamentares aprovaram, por meio de votação simbólica, o convite à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e a José Carlos Dias Toffoli, irmão do ministro Toffoli. Por se tratar de um convite, e não de uma convocação obrigatória, os citados possuem a prerrogativa legal de decidirem se comparecerão ou não à comissão.

A decisão de transformar os pedidos originais de convocação em convites partiu do presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), diante da ausência de consenso entre os membros do grupo. No caso específico de Alexandre de Moraes, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) fundamentou o pedido na necessidade de esclarecer supostas reuniões entre o ministro e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O objetivo da oposição é investigar se a liquidação do Banco Master foi tema de tais encontros. Em contrapartida, tanto Moraes quanto Galípolo negam veementemente qualquer diálogo sobre a instituição financeira, sustentando que as agendas trataram exclusivamente da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro pelo governo norte-americano, em meio a tensões envolvendo plataformas digitais.

Quanto à Viviane Barci de Moraes, o requerimento baseia-se em notícias sobre supostos contratos de seu escritório de advocacia com o Banco Master. O senador Girão argumenta que, embora a atividade profissional em si não constitua crime, a proximidade com interesses privados sob investigação exige transparência para evitar a captura institucional. É relevante notar, contudo, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou sobre o tema no final de 2025. O procurador Paulo Gonet arquivou o pedido de investigação contra o casal, afirmando não haver indícios de ilicitude nos contratos mencionados que justificassem a atuação do Ministério Público Federal.

Em relação ao ministro Dias Toffoli e seu irmão, José Carlos, a CPI busca entender decisões judiciais classificadas pela oposição como “pouco usuais” no âmbito do caso Master, além de possíveis conexões comerciais da família com o banco. As suspeitas mencionadas no requerimento giram em torno de um empreendimento turístico no Paraná, do qual José Carlos teria sido sócio. O documento votado na comissão menciona que um fundo de investimento, cujo dono teria ligações familiares com o controlador do Banco Master, adquiriu participação no negócio, levantando questionamentos sobre a imparcialidade do ministro na relatoria de processos vinculados ao ecossistema financeiro investigado.

Com informações Agência Brasil

Compartilhe este artigo
Seguir:
A notícia além do óbvio: para pensar, aprender e sorrir.
Nenhum comentário