Retorno do voto secreto na PEC da Blindagem: um debate na Câmara

Redação
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Nesta quarta-feira ,17, a Câmara dos Deputados aprovou a reinclusão do voto secreto para autorizar o início de processos criminais contra deputados e senadores. A medida faz parte da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3 de 2021, conhecida como a PEC da Blindagem, que agora segue para o Senado.

​A decisão foi aprovada com 314 votos a favor e 168 contrários, garantindo que parlamentares só possam ser processados criminalmente após o aval da respectiva Casa legislativa. O relator da PEC, deputado Claudio Cajado (PP-BA), justificou a emenda que restabeleceu o voto secreto, alegando que a votação anterior, que o havia excluído, ocorreu de madrugada e não refletiu a opinião da maioria.

Oposição contesta e defensores rebatem

​A reinclusão do voto secreto gerou críticas de líderes de partidos como Novo, PSOL, PT e PSB, que argumentaram que a Constituição impede a votação de um mesmo tema na mesma sessão legislativa. O líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), mencionou o Art. 60, parágrafo 5º, para sustentar que a matéria rejeitada não pode ser reapresentada na mesma sessão.

​No entanto, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu a medida, citando o apoio da maioria e precedentes regimentais. Ele afirmou que a emenda aglutinativa respeita o processo legislativo e tem a concordância política da Casa.

​Os líderes que se opuseram à medida prometeram levar o caso à Comissão de Constituição e Justiça e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em contrapartida, defensores da PEC, como o deputado Alberto Fraga (PL-DF), argumentaram que as decisões no Parlamento são tomadas pela maioria, e que a aprovação da reinclusão do voto secreto é legítima.

​A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) criticou a proposta, chamando-a de “PEC do crime organizado”, pois, segundo ela, favorece a impunidade de parlamentares que cometerem crimes como “ladroagem, assassinato, pedofilia [e] crime organizado”. O relator Claudio Cajado rebateu a crítica, afirmando que a PEC serve para proteger o mandato parlamentar de “perseguições políticas” e não para dar imunidade a criminosos.

Detalhes da PEC da Blindagem

​A PEC da Blindagem estabelece que:

​Deputados e senadores só podem ser processados criminalmente após a autorização da Câmara ou do Senado em até 90 dias.

​Casos de prisão em flagrante por crimes inafiançáveis também precisam de autorização da respectiva Casa em até 24 horas, também por voto secreto.

​A proposta concede foro especial no STF para presidentes de partidos com assento no Congresso.

​A proposta ganhou força após o julgamento e condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Críticos argumentam que a PEC dificulta a investigação de crimes como desvio de dinheiro público, enquanto defensores alegam que ela protege o mandato parlamentar de supostas perseguições políticas.

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